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O Trabalho a Partir de Casa está a Aumentar

O trabalho a partir de casa está a aumentar por toda a Europa e Portugal não é exceção!

Eu comecei a trabalhar online nos finais de 2013 e nessa altura verifiquei que muitos dos trabalhos que encontrava eram de clientes residentes em países não europeus (por exemplo EUA, Canada, Índia). Mas com o passar do tempo, já em 2014, começaram a aparecer mais e mais clientes de países europeus – França, Alemanha, Grécia, Países Baixos. O que me mostrou que eu estava a presenciar uma mudança no mercado do trabalho remoto online na Europa.

Como estará a situação do trabalho a partir de casa em Portugal?! Seria tão bom poder encontrar ofertas de trabalho online em português e assim trabalhar em projetos na minha língua materna!

Foi este o meu pensamento quando verifiquei tal crescimento da procura por parte de clientes europeus.

Foram várias as vezes que falei com amigos e familiares sobre o tipo de trabalho que eu estava a fazer e muitas das vezes eu teria de referir a importância de saber inglês para poder encontrar ofertas, pois não era fácil encontrar algo em português. Havia pessoas que automaticamente me diziam “Que pena que não existem mais empresas portuguesas à procura! Eu até que faria algo assim a partir de casa!”

Por essa razão, quando decidi criar o ProMarta, comecei por fazer uma pesquisa para verificar o estado do trabalho a partir de casa em Portugal.

Mas onde começar?! Eurostat! O melhor sítio para encontrar estatísticas sobre tudo o que se passa dentro da União Europeia.

Qual foi o meu espanto quando, ao fazer uma análise detalhada, verifico que houve um aumento de pessoas a trabalharem a partir de casa exatamente entre 2013 e 2015! Podes verificar na tabela abaixo que existe um aumento de verdes exatamente durante este período.

Tabela com a Percentagem de Pessoas Empregadas que Trabalham a Partir de Casa nos Países da EU
Percentagem de Pessoas Empregadas que Trabalham a Partir de Casa nos Países da UE

Até mesmo nos Países Baixos, os líderes da tabela, foi em 2015 que se deu um aumento para mais do dobro das pessoas que trabalham a partir de casa. De 13.9% em 2014, passa para 36.8% em 2015. Os Holandeses têm se mantido no topo da tabela desde então e parece que a tendência é aumentar.

Estando eu aviver na Holanda, achei por bem fazer uma pesquisa mais profunda quanto ao porquê destas percentagens e mesmo comparar com a situação em Portugal.

Mas vamos então por partes, comecemos por ver a situação em Portugal e depois nos Países Baixos.

O Trabalho a Partir de Casa em Portugal

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É interessante ver que, ao contrário dos Países Baixos, que tiverem o seu “boom” em 2015, os Portugueses deram um grande salto bem mais cedo. De 4.7%, em 2010, passaram para 10.3% e encontra-se acima dos 14% desde 2013!

Já são 14.2% os Portugueses empregados que trabalham ocasionalmente a partir de casa!

Então mas quem são estas pessoas?

Fazendo uma análise mais detalhada e com base nos dados estatísticos da Eurostat, a maioria dos portugueses empregados que trabalham a partir de casa são Homens (14.4%), no entanto as Mulheres não ficam muito atrás (13.9%), fazendo-o de forma ocasional (Homens – 8.6%; Mulheres – 8%). Sendo que a maioria dos que o fazem com regularidade são os trabalhadores independentes.

Por parte dos Homens, os maiores adeptos são os solteiros com crianças (34.4%), quando estas têm menos de 6 anos de idade (17.6%), e o aumento do número de crianças no agregado familiar faz com que mais Homens adotem esta modalidade (1 criança – 13.8%; 2 crianças – 19.1%; 3 crianças ou mais – 24.6%).

Quanto às Mulheres, estas são maioritariamente solteiras sem crianças (17.1%), mas quando existem crianças estas têm mais de 12 anos de idade (15%) e aumenta o número de Mulheres conforme aumenta o número de crianças no agregado familiar (1 criança – 12.9%; 2 crianças – 16.7%; 3 crianças ou mais – 20.6%).

De notar que a maioria dos agregados familiares em Portugal são compostos por indivíduos/casais sem crianças ou com apenas 1 criança.

Eu acredito que este aumento surge com a procura de novas alternativas durante a crise económica na Europa e, para ter uma visão mais alargada da situação de emprego em Portugal, decidi procurar informação sobre o trabalho em regime de part-time e sobre aqueles que tenham segundos empregos.

Quanto ao Part-Time

O número de pessoas a trabalhar a part-time em Portugal tem vindo a diminuir ao longo dos anos, tendo o seu pico máximo sido no segundo trimestre de 2013 (11.5%), mas voltando a descer novamente nos anos seguintes, encontrando-se, no segundo semestre de 2018, com uma percentagem de apenas 7.9%, como podes verificar no gráfico abaixo.

Gráfico de Linhas - O Emprego a Part-Time como Percentagem do Total do Emprego em Portugal

Aqui são as Mulheres que dominam com 11.4%, sendo apenas 5.8% Homens trabalham a Part-Time.

A maioria são os solteiros sem crianças, mas quando existem crianças estas terão 12 anos de idade ou mais (7.2%) e o número de Mulheres a trabalhar part-time aumenta com o aumento do número de crianças, enquanto que os Homens diminuí.

Quanto às razões para trabalhar em part-time, tanto Homens como Mulheres indicam como razão principal o facto de não conseguirem encontrar um trabalho a tempo inteiro.

Segundo Emprego

Quanto aos que têm um segundo emprego, tal como no trabalho a part-time, também aqueles que adotam um segundo emprego diminuiu ao longo dos últimos anos, sendo agora um total de 4.2%, como podes verificar no gráfico abaixo.

Gráfico deLinhas - Percentagem de Pessoas Empregadas que têm um Segundo Emprego em Portugal

Os Homens são os que mais têm um segundo emprego, sendo maioritariamente os que já trabalham como profissionais e em seguida os que praticam algum tipo de ofício. A maioria vive como casais com crianças, sendo que o número de Homens diminui com o aumento do número de crianças no agregado familiar e a maioria são os que têm crianças com idades inferiores a 6 anos.

As mulheres que têm segundos empregos são maioritariamente solteiras sem crianças, sendo elas maioritariamente profissionais seguidas das que trabalham na área dos serviços e vendas e, tal como os homens o número de mulheres aumenta com o número de crianças a seu cargo, mas estas são maioritariamente crianças com 11 anos, ou menos, de idade.

A Minha Conclusão quanto ao Caso Português

Aqueles que trabalham a partir de casa são maioritariamente os trabalhadores independentes, no entanto os 14.2% dos empregados que ocasionalmente adotam esta opção serão os que trabalham a tempo inteiro e cujas profissões lhes permitem “trazer o trabalho para casa”. Falta conseguir responder à questão se estes momentos de trabalho em casa são retirados do trabalho na empresa ou se são horas extras, por exemplo, para concluir projetos que precisam de ser entregues na “próxima segunda-feira”!

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Não tenho forma de encontrar resposta a isso neste momento. Mas acredito que para muitos esta será a realidade do trabalho a partir de casa para aqueles que trabalham por conta de outrem.

Também é importante realçar a resposta dos portugueses quanto ao porquê de trabalharem em part-time, sendo esta que “não encontram trabalho a tempo inteiro”.

 Então e quanto aos Países Baixos?

Pois é, quanto a trabalho a part-time, trabalhar a partir de casa e até mesmo quanto a terem segundos empregos, os holandeses são líderes.

Existem vários fatores que fazem com que os Holandeses sejam tão adeptos do trabalho a partir de casa e do trabalho a part-time, mas vamos primeiro analisar cada uma dassituações.

Comecemos pelo trabalho a partir casa em que 37.7% dos Holandeses empregados trabalham apartir de casa e, na sua maioria, de forma ocasional (21.4%).

Tal como em Portugal, a maioria dos que adotam o trabalho a partir de casa são os Homens (38.2%), mas as Mulheres estão quase ao mesmo nível (37%).

Os Homens são na maioria solteiros com crianças (47.7%) em idades entre os 6 e os 11 anos (46%) e quantas mais crianças tem o agregado familiar maior é a percentagem de Homens a trabalharem a partir de casa (com 1 criança – 37.5%; 2 crianças – 45.8%; e com 3 ou mais crianças – 45.7%). Quanto às Mulheres, são aquelas que vivem como casais com crianças que maioritariamente trabalham a partir de casa (43.9%), na maioria quando as crianças têm entre 6 e 11 anos de idade (44.1%) e menos de 6 anos de idade quando existem um mínimo de 3 crianças ou mais no agregado familiar (47.2%). E tal como os homens, a tendência é de aumentar o número de Mulheres a trabalharem a partir de casa com o aumento do número de crianças no agregado familiar (1 criança – 35.7%; 2 crianças – 43.5%; 3 crianças ou mais – 45.8%).

Quanto ao Part-Time

Quanto aos que trabalham em regime de part-time… Uau! Os Países Baixos são definitivamente líderes nesta tabela com 50.4% das pessoas empregadas a trabalharem a part-time.

Gráfico de Linhas - Emprego a Part-Time como Percentagem do Total de Emprego nos Países Baixos

A maioria dos que adotam o trabalho a part-time são as Mulheres com 76.6%, mais do dobro do que os Homens que são apenas 26.7%.

As principais razões para as Mulheres trabalharem a part-time é porque têm crianças ou adultos incapacitados ao seu cuidado (35.5%), enquanto que para os Homens é porque estes estão a estudar ou a participar em algum tipo de curso ou formação (42.2%).

As Mulheres são mais as que vivem como casais com crianças (82.5%), tendo as crianças entre 6 e 11 anos de idade (84.1%) e a maioria quando têm duas crianças no seu agregado familiar (85.2%).

Os Homens são maioritariamente os solteiros sem crianças (33.6%), no entanto quando existem crianças estas têm 12 anos ou mais de idade (18.3%) e são mais os que têm apenas uma criança (18.2%).

Os que têm Segundo Emprego

Seria de esperar que com tantas pessoas a trabalharem em part-time, que o número de pessoas com segundo emprego fosse extraordinário. Mas o mesmo não acontece! Como podes ver no gráfico abaixo são apenas 7.8% aqueles que têm um segundo emprego.

Gráfico de Linhas - Percentagem de Pessoas Empregadas que têm um Segundo Emprego nos Países Baixos

E não tem havido uma grande variação ao longo dos últimos anos.

Mais uma vez são mais as Mulheres que têm um segundo emprego, sendo que nos seus empregos principais são maioritariamente as profissionais, seguidas das que trabalham em serviços e vendas. Quanto aos Homens, estes são maioritariamente os profissionais seguidos dos técnicos.

Tanto Homens como Mulheres, são maioritariamente solteiros sem crianças que adotam um segundo emprego. E quando existem crianças, o número de Homens é maior quando as crianças têm menos de 6 anos de idade (6.9%) e as Mulheres é quando as crianças têm 12 ou mais anos de idade (9.7%). Sendo que em ambos os casos, quantas mais crianças no agregado familiar, mais são os que adotam um segundo emprego.

Conclusões

A minha conclusão quanto à situação de emprego em Portugal é de que a maioria continua a ter trabalhos a tempo inteiro, mas começam a conjugar o trabalho do escritório com trabalho a partir de casa e adotam alternativas de acordo com os seus agregados familiares. Não tendo o trabalho a tempo inteiro, não faz com que os portugueses fiquem quietos, mas sim com que se predisponham a outras alternativas de emprego e assim se mantenham ativos no mercado de trabalho e como membros ativos na família, participando mais não só financeiramente, mas também presencialmente.

Quanto aos holandeses, sendo eu portuguesa habituada a que se ocupe as horas do dia com trabalho e só depois tudo o resto, é de espantar que estes, praticando maioritariamente o trabalho em regime de part-time, não sejam mais os que têm um segundo emprego e que mesmo como part-time sejam tantos os que trabalham a partir de casa.

Para tentar perceber um pouco melhor esta situação e após horas a pesquisar online e a questionar locais, concluo que os holandeses dão prioridade a atividades pessoais e à família.

Sendo mesmo que as crianças holandesas estão no topo das estatísticas quanto a serem crianças mais felizes do que em outros países europeus. Também é importante referir que os custos de vida quando se tem crianças é mais exigente nos seus primeiros anos de vida e que muitos pais adotam ficar em casa a cuidar dos mais pequenos e quando estes crescem voltam ao mercado de trabalho.

E a maioria da composição dos agregados familiares é constituída por 2 crianças, em oposição aos portugueses que maioritariamente têm uma criança ou nenhuma.

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Outro fator que aparece como relevante nas razões dadas é o facto de que na Holanda, em oposição ao que aconteceu em Portugal, os homens não “saíram” para a guerra aquando da Grande Guerra Mundial, também porque esta os afetou em casa, e como tal as mulheres só entraram no mercado de trabalho por volta dos anos 80, sendo que a ideia de que as mulheres cuidam da família é ainda hoje muito forte neste país tão desenvolvido.
Em Portugal nota-se muito uma proximidade nas percentagens entre Homens e Mulheres, enquanto que na Holanda as percentagens são bem distintas.

Mas sem dúvida de que a mentalidade de que se “trabalha para viver, não se vive para trabalhar” aqui na Holanda é muito forte e todos têm mais oportunidades de desenvolverem laços familiares e de terem uma melhor qualidade de vida, com tempo para si, para os seus, para socializar e para atividades extras.

Não é que os Holandeses não tenham vivido uma crise, que não sejam muitos os que precisam de contar os tostões, mas para eles é muito importante viver a vida ao máximo, mais do que a parte financeira que tanto afeta portugueses e as suas relações familiares.

Lição que levo dos Holandeses, não é por viver com limites que deves deixar de viver e não se vive para trabalhar! Há muito mais na vida para além disso e o trabalho a partir de casa permite-me ter tempo para mim e para o meu filho, que tenho o prazer de ter acompanhado todos os “primeiros” momentos desde o início.

Mesmo que trabalhe a tempo inteiro, é hoje mais importante para mim viver a vida do que viver para trabalhar.

O que achas da situação em Portugal e até mesmo na Holanda? Deixa a tua opinião nos comentários abaixo!

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