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Estilo de Vida

O Isolamento Social no Trabalho Online

Como já referido no artigo “Vantagens e Desvantagens do Trabalho Remoto” o isolamento social é uma das desvantagens de se trabalhar a partir de casa e que pode facilmente se instalar nas nossas vidas sem querermos.

Hoje em dia, o trabalho online aparece como uma forma de podermos gerar mais rendimentos ou mesmo como fonte principal e única de rendimentos.

No entanto, algo muito importante no trabalho remoto online é o feedback dos clientes com quem trabalhamos. Não só porque este nos dá motivação para continuar a trabalhar, mas também porque é através do feedback dos clientes com quem já trabalhámos que novos nos procuram e que conseguimos mais projetos.

Enquanto que no trabalho regular em que entramos obrigados a cumprir um certo horário (normalmente das 9:00h às 17:00h) vamos para casa e deixamos o trabalho no escritório, no trabalho a partir de casa qualquer hora é boa para trabalhar.

Se vivermos sozinhos, por exemplo, mais facilmente dedicamos grande parte dos nossos dias ao trabalho online e acabamos mesmo por criar hábitos de acordo com este estilo de vida.

Não havendo ninguém que facilmente nos possa chamar à atenção de quanto tempo estamos a dedicar ao trabalho online, muito facilmente se perde a noção de tempo, de espaço, de regras e do quão importante é sociabilizar.

Existem mesmo situações em que, estando a viver com outros (seja família, namorado/a ou amigos) facilmente o trabalho passa até a ser uma desculpa para não sociabilizarmos ou lidarmos com situações que nos desagradam e acabamos fechados num mundo só nosso, mesmo estando rodeados por outros.

Mas nada melhor do que te dar um exemplo concreto de como, mesmo sem te aperceberes ou fazeres por isso, poderás estar em isolamento social.

Eu e o Isolamento Social

Quando comecei a trabalhar online foi porque não estava a conseguir arranjar um trabalho e não queria estar muito tempo à espera sem ter qualquer tipo de rendimento.

Eu tinha chegado há poucos meses na Holanda, estava a viver com o meu namorado numa casa que tínhamos acabado de comprar e eu queria ter uma ocupação e até mesmo participar nas contas da casa.

Como muitos de vocês, a principal razão de trabalhar online foi a vontade de gerar rendimentos por forma a ter uma vida melhor economicamente.

Eu estava na situação ideal para fazer este tipo de trabalho e quando comecei, visto estar a viver com o meu namorado, decidi que iria trabalhar no horário em que ele trabalhava e assim poderia passar tempo com ele quando chegasse a casa.

Poderíamos sair com amigos ou fazer o que fosse quando ele voltasse do trabalho ou mesmo aos fins-de-semana quando tínhamos mais tempo para sociabilizar.

No entanto, mais rápido do que eu alguma vez pensei, eu estava perdida no trabalho.

Confesso que não foi assim tão cedo que me apercebi da situação. Quando penso no assunto, nem sei bem qual foi o momento em que me apercebi de tal.

A verdade é que a liberdade de trabalhar quando eu quisesse e em qualquer lugar acabou por se descontrolar e até ser usado como desculpa para evitar lidar com certas situações.

A princípio, como ainda estava em fase de procurar trabalho online e ainda não tinha feito nenhum projeto, facilmente eu conseguia parar quando o meu namorado chegava a casa e passar tempo com ele.

No entanto, quando comecei a ter trabalho e a ver o feedback positivo dos clientes e como este me ajudava a ter mais trabalho, facilmente comecei a trabalhar em qualquer oportunidade que tinha.

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Todo o meu tempo livre era para trabalhar. Facilmente comecei a perder a noção das horas e dos dias.

Apesar de ainda parar quando era a hora de jantar para passar tempo com o meu namorado, eu voltava para o computador assim que podia e trabalhava mais umas horitas.

Os fins-de-semana sem programa eram para trabalhar e quando estava em momentos sociais, muitas vezes era no trabalho que pensava e em como eu deveria era estar a trabalhar.

Afinal de contas… tempo é dinheiro!

Assim que apareciam projetos maiores eu só pensava em fazer de tudo para acabar o mais rápido possível, só para “ganhar pontos” com o cliente. E para tal eu trabalhava mais horas de noite, já o meu namorado estava no seu “quinto sono”.

Confesso que não dei por ela, mas a realidade é que quando havia alguma contradição na minha vida, quer fosse com o meu namorado, familiar ou amigos, eu me virava para o trabalho e até dava este como desculpa para não ter de aprofundar conversas.

Nos momentos bons eu até sociabilizava, mas mais com o meu namorado pois era este que estava mais perto de mim.

Foi fácil deixar de ter horários ou dias de trabalho, haver dias em que trabalhava em pijama e assim ficava até ir para a cama, ou mesmo saltar um dia sem tomar um banho.

Até porque, para quê me cuidar se não vou a lado nenhum?!

Comecei a sair só para ir fazer o essencial, como compras ou porque tinha uma consulta ou algo marcado com alguém (o que raramente acontecia sendo que as amizades não eram muitas, o que era normal estando eu tanto tempo em casa).

Tudo descarrilava, mas eu não o via assim.

Eu dormia de manhã e trabalhava até às tantas. Sair era para ir passear a cadela ou fazer algo mesmo necessário e conviver era com o meu namorado e pouco mais.

Até ao dia em que descobri que ia ser mãe!

E mesmo assim, não deixei de trabalhar sempre que podia.

Durante o tempo de gravidez era fácil manter o mesmo ritmo, no primeiro ano de vida do meu filho também foi fácil manter o meu papel de trabalhadora online e mãe.

Mas assim que o meu filho começou, de certa forma, a exigir mais de mim eu percebi em que situação estava.

Não dava para estar a trabalhar online tantas horas! E ser mãe a tempo inteiro exige mais do que alguma vez pensei.

Depois foi o perceber como eu me sentia sozinha, mesmo estando acompanhada. E o peso que tinha na consciência por estar a trabalhar em vez de passar tempo com o meu filho.

Começou a ser difícil conciliar tudo e a minha cabeça dividia-se entre trabalho, ser mãe e ser mulher.

Com dificuldade me apercebi o quão sozinha eu estava e como me tinha isolado, inicialmente involuntariamente e depois já como desculpa.

Não havia tempo para ser “eu”, não havia espaço na minha vida para tudo e eu me senti perdida e sozinha.

Não foi sozinha que ultrapassei ou percebi o que se passava. Foi com ajuda profissional que me rendi às evidências e que percebi que solidão e isolamento são coisas diferentes.

É bom ter momentos em que estamos sós para nós mesmos, no entanto também é muito bom saber que se tem um mundo quando voltamos do nosso momento a sós.

Isolamento Social vs Solidão

Existe uma grande diferença entre Isolamento Social e Solidão que convém saber por forma a perceber melhor estas duas realidades.

 “O isolamento social é um comportamento no qual um individuo deixa de participar, voluntaria ou involuntariamente, de atividades sociais.”

Isolamento Social significa que não tens pessoas suficientes com quem interagir, por outro lado, Solidão tem haver com a forma como pensas, sentes e interpretas a tua situação.

Alguém que se sinta só pode ter familiares ou amigos por perto, mas mesmo assim vivencia sentimentos de solidão.

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Esta situação pode levar a outras que serão mais difíceis de contornar, como a depressão, pensamentos suicidas devido ao isolamento, fobia social e até mesmo consequências físicas devido a uma má alimentação e cuidado.

É então importante manter uma vida social, independentemente do facto de que nem todas as pessoas possam merecer a tua confiança ou tempo.

Como lidar com o isolamento social sendo trabalhador online?

Primeiro que tudo é preciso perceber que tens de estar comprometido a 100% nesta mudança.

E que fique bem claro que é permitido ter tempo para nós! É importante perceber que tempo a sós permite que melhoremos aquilo que for preciso, como indivíduos, por forma a termos uma vida mais estável e concretizarmos aquilo que desejamos.

Aqui ficam algumas dicas do que poderás fazer por forma a ultrapassar este “momento de isolamento social” e voltares ao mundo.

Mantem contato semanal com as pessoas mais importantes na tua vida

Quer sejam amigos ou familiares, é importante manter um contato com eles. Já sei que muitos são os que ficam a par das novidades através das Redes Sociais, mas só isso não chega.

Tem muito mais valor quando se fala, quer seja por telefone ou cara-a-cara, com os mais queridos. O sentimento e as palavras passam a ter uma intensidade diferente.

Muitas vezes se fica com incertezas quanto ao que se escreve numa mensagem. O tom da nossa voz exprime muito mais do que meras palavras escritas e os nossos mais queridos ficam com a certeza do quanto são importantes para nós.

Faz uso de uma agenda

Se já chegaste ao ponto em que te é difícil ter interação com outros de forma espontânea, então a agenda vai te ajudar a planear uma vida mais social e a te manter concentrado(a) em estares ocupado(a) em diferentes áreas da tua vida.

Por exemplo, define quantas horas vais trabalhar por semana, quantas horas vais despender a fazer algo que gostas e quanto tempo livre vais ter.

Depois cria uma lista de coisas que gostas de fazer quer seja sozinho(a) ou acompanhado(a).

Define um dia da semana em que telefonas aos amigos e/ou familiares.

Adere a um ginásio ou faz exercício sozinho(a), mas fora de casa! Algo como correr, caminhadas ou mesmo vai para aqueles parques com equipamento desportivo que podes utilizar gratuitamente.

Sabias que mesmo fazendo atividades sozinho(a) pode te levar a interagir com outros? Basta saíres de casa!

Se tens um cão aproveita e faz caminhadas mais longas com ele. Acredita que vais começar a sociabilizar com outros.

Sai à rua com frequência!

Quer seja para ir às compras ou só para ir ver montras, saí à rua!

Estar em casa todos os dias não te vai ajudar a sociabilizar, mesmo que estejas ligado(a) às redes sociais!

Tu até podes conhecer alguém online, mas então dá o próximo passo e vai conhecer cara-a-cara. Muitas amizades surgem assim hoje em dia! Até mesmo romance.

Quando sais, nem que seja para uma caminhada sozinho(a) estás exposto(a) a mais situações com grandes oportunidades para conviver.

Faz planos para estares com os que mais gostas

Um telefonema é sempre mais fácil para manter o contato, no entanto é muito importante que estejas cara-a-cara com as pessoas.

Combina um almoço/jantar, uma ida ao cinema ou ao teatro, pode até ser um fim-de-semana em aventura numa cidade ou aldeia que nunca visitaste.

Não é preciso ir muito longe para te divertires ou até mesmo despender de muito dinheiro. Vai atrás de promoções ou ofertas online.

Cuida de ti todos os dias

Mesmo sendo que não vais sair para trabalhar, adota uma rotina em que acordas à mesma hora, tratas da tua higiene pessoal, vais à rua ou não tomar o pequeno-almoço e depois entras ao trabalho em casa.

Faz a pausa para o almoço e o jantar! Mantem uma boa alimentação e mantem-te em movimento.

Tudo isto vai te ajudar a manter com altos níveis de energia e de autoestima o que te vai levar a estar mais otimista quanto ao que te rodeia.

E uma aparência cuidada e uma atitude positiva leva a que outros queiram se aproximar de ti mais facilmente.

Cuida do que é teu com regularidade

Não és só tu que precisas de cuidados, o local onde vives também precisa de ser cuidado para te manteres saudável e mais positivo.

Abre cortinas, deixa o sol entrar mesmo quando está enublado. Mantem a casa o mais organizada possível e limpa.

Mantem o teu espaço organizado, limpo e com luz, até porque vais começar a ter uma vida mais social. Certo?

Quem sabe não convidas alguém para um jantar em casa ou mesmo um café.

As tuas novas amizades podem querer aparecer de surpresa e se cuidares do teu espaço elas vão querer voltar.

Tudo depende de ti e só de ti!

Acredita que, por mais que os teus amigos ou familiares tentem te motivar para que socializes e te mantenhas em contato, tudo depende de ti e só de ti!

Porque só tu podes agir!

Dá o primeiro passo para que outros possam dar o segundo.

Quando perceberes que sociabilizar faz parte da vida e da natureza humana, vais perceber que a tua “rede de apoio” sentimental e psicológico é tão importante como ter rendimentos, exercitar ou ter uma carreira de sucesso.

Procura ajuda

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Caso não saibas o que fazer ao certo, procura por ajuda! Fala com um amigo ou familiar e assume o que sentes.

Se não tiveres com quem possas te abrir, procura ajuda profissional.

Não são só os “malucos” que precisam de ajuda profissional. Existem profissionais na área da psicologia para diferentes tipos de situações.

Fala com o teu médico de família e procura saber quais as tuas opções.

Em suma…

O isolamento social é um problema e que só tu podes ultrapassar, caso contrário outras consequências podem surgir.

Imagina quando te sentes mais em baixo e sentes que era bom ter com quem conversar, se não criaste laços sociais não terás essa ou essas pessoas que podes procurar nesses momentos.

E não é só nesses momentos em que estás mais em baixo ou triste ou desapontado que se procura pelos outros. É sempre!

As relações constroem-se com o tempo e não de um dia para o outro.

Toma o meu caso por exemplo, eu hoje crio tempo para tudo (para mim, para os que me rodeiam, para o meu espaço e para um futuro melhor).

Se eu consigo, tu também consegues!

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