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Nem todo o trabalho online é uma fraude!

Atualizado no dia

Quando se fala de trabalhar online existe uma reação imediata em que se diz que isso é tudo “tanga”! É tudo mentira e que não existem trabalhos legítimos online.

Não é bem assim! Posso te garantir que se encontra muito trabalho legítimo e em que podes até mesmo ser muito bem pago(a).

No entanto, também é uma grande verdade que muito mais facilmente poderás encontrar um trabalho que seja “fraude” ou mesmo uma “burla”.

Afinal de contas a internet proporciona a este tipo de “gente” aparecer em todo o lado e tentar tirar proveito daqueles que só querem fazer um trabalho honesto e “ganhar o seu” de forma transparente e honesta.

Sendo eu trabalhadora online desde 2013, também eu tenho a minha própria experiência que aqui vou partilhar para que percebas que existem mesmo estes esquemas, mas que podes facilmente detetar o mesmo.

Os meus exemplos de fraude

São três as situações que aqui vou expor para te ajudar a perceber melhor como detetares as coisas e como eu aprendi na prática como me prevenir.

Por questões de privacidade e mesmo porque muitas vezes são usados nomes de empresas conhecidas, mas que em nada tem haver com estes esquemas, opto por não dar nomes às mesmas ou a expor nomes. No entanto, tenho a certeza de que, após leres estes exemplos, saberás identificar as situações se fores confrontado(a) com as mesmas.

1º Exemplo – A seguradora

A primeira situação com a qual me deparei foi quando respondi a uma oferta de trabalho através do UpWork em que era explicado que se trabalharia para uma empresa na área dos seguros e que teria de se trabalhar com um programa próprio onde iriamos dar entrada de dados dos segurados na empresa por forma a manter uma base de dados acessível e atualizada.

Até aqui tudo me parecia credível e por essa razão decidi responder ao convite que me fizeram de entrevista.

Neste caso nem fui eu que encontrei o anúncio, eles me encontraram a mim e me convidaram para responder. Existe essa opção na maioria dos sites dedicados em que o cliente pode convidar os freelancers que quiser a fazerem uma entrevista e depois então irá escolher quem lhe agrade.

Eu sei que existem muitas seguradoras americanas que contratam trabalhadores remotos para fazerem parte das suas equipes. No entanto, também tenho conhecimento que na maioria dos casos as mesmas optam por trabalhadores residentes na américa e não em outros países.

Mas como, à primeira vista, não me pareceu nada de errado, decidi responder e perguntar por mais informações.

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Quase que de imediato recebi uma mensagem a informar que o próximo passo seria o de falar com a pessoa responsável através do “Yahoo! Messenger” (que só por curiosidade está descontinuado desde julho de 2018), que até tive de criar conta pois não tinha conta aberta, e que essa pessoa me daria todos os detalhes.

Assim fiz, apesar que achei logo estranho que este contato teria de ser feito fora do UpWork o que nem é aconselhado pelo próprio UpWork pois deixam de poder garantir as condições contratuais. Assim que a conversa começa vejo que me é dado um texto com os detalhes para ler (algo que foi copiado  e não digitado) e no qual me é dito que posso ganhar mais de €1000 por mês pois seria paga à unidade e que existia muito trabalho e que dependendo das horas que eu dedicasse mais poderia fazer mensalmente.

Seria me dado acesso ao tal programa específico, no entanto… e aqui começa o “mas”… teria de adquirir um computador portátil que eles me forneceriam em que o programa já estaria instalado e que depois me seriam indicados todos os passos de acesso, isto tudo por questões de segurança e poderem controlar o meu trabalho da melhor forma possível. Afinal de contas eram dados muito privados que eu estaria a introduzir e teriam de se prevenir.

Mas eu teria de pagar €150 pelo computador (um preço, na altura, bem atrativo por um portátil), valor este que depois seria restituído com a primeira retribuição. e até muito mais, pois eu poderia fazer muito mais do que os €1000 por mês.

Como?!! Eu pago por um portátil, mas não faz mal pois assim que o tiver posso trabalhar e fazer mil por mês?!!

Confesso que fiquei perplexa com o esquema e quando os confrontei com tal ainda mais chocada fiquei com a teoria de resposta.

É claro que eu não iria investir para depois ter de esperar pelo computador! A ideia deles era de que as pessoas investissem e nunca mais ouviam nada deles pois já lá tinham o dinheiro.

Ao ver o que me explicavam eu imediatamente pesquisei pelo nome da empresa e no site da própria empresa existia um alerta sobre este mesmo esquema e a avisar as pessoas que a empresa não fazia contratos com trabalhadores à distância ou pedia que fosse investido qualquer valor para com eles trabalharem.

Com isto, decidi confrontar a pessoa, fiz pesquisa no fórum do UpWork e vi que nada havia sobre os mesmos e decidi reportar todas as ofertas e escrever a minha experiência para alertar outros.

No entanto, fazendo pesquisa uns meses mais tarde, pois voltei a ver ofertas destas online, verifiquei que houve pessoas que “caíram” no esquema e perderam o seu investimento, como já era de se esperar.

2º Exemplo – A Imobiliária

Uma oferta de trabalho, que eu respondi, em que teria de adicionar em diferentes sites de venda e/ou aluguer de imobiliário as ofertas que a agência imobiliária queria publicar.

Quando recebo mais informações, é me indicado um site e que preciso de fazer o registo nesse site para poder fazer a introdução das ofertas. Até aqui, tudo bem!

Questionei se o perfil não deveria de ser feito com dados da própria empresa e não meus, ao qual me responderam que eu passaria a ser uma “agente” da imobiliária e como tal não seria necessário. Ok!

Ao pesquisar mais sobre o processo para criar conta no site e como se processa o registo das ofertas, vejo que é necessário pagar um valor por cada oferta colocada no site.

Com isto, volto a contatar o cliente e questiono se me será feito o pagamento em adiantado para poder então pagar esses valores. Ao qual me respondem que os valores são pagos depois como parte do meu pagamento.

Desculpe?!

Então eu crio um perfil, introduzo as vossas dezenas de ofertas que tenho de pagar do meu bolso e só depois é que vocês me pagam?! Ou melhor dizendo, “talvez” me paguem?!

Nem pensar!

3º Exemplo – Agência prestadora de serviços

Este foi um trabalho que começou muito bem e acabou mal.

Foi um trabalho em equipe, em que trabalhei com outros portugueses e brasileiros, e que tínhamos de dar entrada do que ouvíamos, sendo estes comandos dados por voz em português e aquilo que digitávamos ensinava o programa a reconhecer as palavras automaticamente.

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Fiz este trabalho durante uns meses e a empresa até tinha equipes em frança e outros países.

Esta empresa funcionava como uma agência em que contratava trabalhadores remotos para fazerem os serviços que os seus clientes contratavam.

Até aqui tudo bem certo?

Realmente tudo parecia bem no início, apesar que todos os “milestones” (parcelas de pagamento) tinham sempre algo errado ou não eram na data acordada, tínhamos de andar a “mendigar” os pagamentos. Mas recebíamos.

Até que chegou ao penúltimo pagamento, já com o trabalho quase a acabar, e ninguém recebia!

Todos falávamos com a supervisora, com a cliente e nada de recebermos! Os dias passavam, todos insistíamos e nada…

Falou-se com os supervisores das outras equipes e o problema era geral. Ninguém estava a receber!

Até que tudo parou aguardando o dinheiro. Mas nada.

Vários fomos os que reportaram a situação no UpWork e todos recebemos a mesma resposta – “O UpWork só pode garantir o pagamento do valor acordado em escrow”.

O “escrow” é um valor que é estipulado que será pago em cada milestone e este valor fica automaticamente pendente na conta dos clientes. Ou seja, já foi pago ao UpWork este valor e quando o cliente dá autorização de pagamento este valor é então libertado para os Freelancers.

É verdade que esta informação também está clara aquando de aceitar contratos a termo fixo, no entanto, e devido ao tipo de trabalho, era compreensível que fosse difícil prever o valor que faríamos ao certo por cada semana.

Este era o meu pensamento e o de muitos quando começámos, claro que já não penso assim.

Eu, por exemplo, tive outras situações de trabalho em que o valor em escrow era mais baixo do que o previsto por milestone, mas que o cliente ajustava sempre de acordo com o combinado e como tal confiei e arrisquei.

Portanto, ao fim do tempo obrigatório e com o aumento de queixas por parte dos freelancers, foi automaticamente pago o valor em escrow que era apenas de $5, fazendo com que perdêssemos centenas que deveriam ter sido pagos.

Ao pesquisar melhor a situação, fiquei a perceber que a “agência” tinha recebido o valor por parte do cliente, mas a pessoa responsável do projeto ficou com o dinheiro e não nos pagou.

4º Exemplo – O Freelancer

Este exemplo é algo que me surpreendeu em muito e que me mostrou que não são só clientes que podem ser fraudulentos.

Ao procurar ofertas através do Freelancer.com respondi a uma que me parecia muito legítima. Era para fazer a introdução de dados em Excel, algo que aparece muito, e na qual eu estava confiante para fazer.

No dia seguinte recebi uma mensagem em que o cliente me perguntava pela minha experiência. Eu expliquei que todos os meus trabalhos eram feitos pelo UpWork e que no Freelancer.com não tinha ainda nenhuma experiência para mostrar, no entanto eu poderia fazer uma amostra para que o cliente visse que eu era a pessoa indicada para o projeto.

O cliente pergunta-me se posso lhe indicar o link para o meu perfil no UpWork e eu assim fiz.

Como resposta recebo uma oferta para vender o acesso ao meu perfil no UpWork, pois eu era “Top Rated Freelancer” e o cliente estava interessado no fato de eu ter tanta experiência e bom feedback por parte dos clientes e assim não precisava de ter o trabalho de criar uma reputação.

A minha resposta foi imediatamente não e que foi com muito trabalho árduo que cheguei ao ponto em que estava no UpWork e de forma alguma iria deixar que outros denegrissem a minha imagem e reputação.

Como detetar a fraude

Como podes ver pelos exemplos que acima partilhei, foram diferentes as situações de fraude com a qual me deparei e de diferentes formas, com diferentes “caras”.

Por essa razão, hoje tenho alguns pontos que levo em conta sempre que respondo a uma oferta de trabalho ou quando estou em negociações com um possível cliente.

Seguem então as minhas “red flags” que fazem logo com que eu não siga com um trabalho, por mais atraente que seja financeiramente:

  • Nunca se investe ou se paga em adiantado pelo cliente! Se este quer trabalhar contigo ele que te pague em adiantado e que invista em ti, nunca o contrário.
  • Nunca assinar contratos fora dos sites dedicados, pois não te é garantido o pagamento! A exceção aqui é clientes com os quais já tens uma longa relação de trabalho e confiança e que se sentem confiantes a trabalhar contigo e te preferem contratar fora dos sites dedicados por forma a poupar nos custos com serviços de terceiros (pois são sempre cobradas comissões aquando de cada pagamento).
  • Não aceitar contratos em que o valor em escrow não corresponde ao acordado! Ou seja, no caso dos contratos com valor fixo tu e o cliente acordam que por cada x unidades feitas é te pago y. Esse valor tem de estar definido em cada escrow. Caso o cliente não saiba ao certo quantas unidades poderam ser a totalidade do trabalho, não tem problema pois no último escrow podem ser sempre feitos acertos, para cima ou para baixo, e assim ficarem pagos apenas os valores acordados.
  • Desconfia sempre se a conversa do cliente não corresponde ao descrito na oferta de trabalho. Se aquilo que é descrito na oferta não corresponde ao que o cliente te fala, desconfia e nem comeces um contrato de trabalho.

Como te prevenires?

Para começar, a primeira coisa que podes fazer é começares por trabalhares através dos sites dedicados ao trabalho remoto pois estes te podem dar mais garantias de pagamento do que se estiveres a trabalhar por conta própria.

Depois basta tomares atenção aos pormenores, até mesmo antes de responderes a uma oferta de trabalho.

Por exemplo:

  • Verifica a autenticidade do cliente: nos sites dedicados existe um campo em todos os perfis onde é indicado se a conta, a identidade, a forma de pagamento e os meios de contato estão verificados. Isto te ajuda a detetar a autenticidade do cliente, pois este precisa de fornecer documentos válidos para ficar autenticado.
  • Verificar o feedback dado por outros freelancers: ajuda sempre saber qual foi a experiência com os colegas, no entanto é necessário discernir quais os comentários serão realmente culpa do cliente ou do freelancer. Nem todos os freelancers são bons.
  • Verificar se foram feitos pagamentos anteriores: ou seja, os contratos ativos têm vindo a ser pagos? Existe um historial de pagamentos ou não?
  • Confirmar que o escrow contem o valor acordado: caso contrário solicitar que o cliente o retifique antes de aceitares o contrato.
  • Caso trabalhes fora dos sites dedicados, solicita uma percentagem do valor acordado à frente: isto vai te garantir que o cliente é sério e se não te pagar mais, ao menos não perdes tudo.

Em caso de dúvida…

Pesquisa! Se não tens a certeza se é uma situação credível, pesquisa pelo nome da empresa ou o nome da pessoa com quem tens falado. Pesquisa em fóruns ou comunidades. Utiliza o email que te foi dado para tentar perceber se existe alguma informação online que sustente o que o cliente te diz.

Hubstaff

A internet pode ser um mundo em que existam pessoas de todos os tipos, no entanto também é uma ferramenta muito útil para verificar informações quando temos dúvidas.

Caso a dúvida permaneça, o dinheiro prometido não vai compensar o risco.

Mesmo que não percas pois não tens de investir nada, podes perder pelas horas que dedicas ao trabalho e que poderias estar a ser pago(a) fazendo outro projeto qualquer.

Nunca te esqueças, tempo é dinheiro!

Espero ter tirado algumas dúvidas e ter te ajudado a perceber que o risco existe, mas não é a maioria das situações e que podes te prevenir.

Como em todas as situações da vida, podes sempre te deparar com pessoas “menos boas” na tua vida, no entanto não serão todas assim.

Existem muitos trabalhos legítimos online e que valem a pena o risco de poder encontrar uns poucos menos “honestos”.

Partilha nos comentários a tua opinião e alguma situação pela qual já te tenhas deparado. Vamos fazer deste artigo um ponto de referência para que outros se possam prevenir.

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